Depilação a laser

A depilação a laser é provavelmente uma das grandes revoluções na beleza das últimas décadas, ou melhor, desde que alguém achou que ter pelo foi a pior coisa que nos aconteceu. Mas este post não é sobre convenções de beleza das mulheres, mas sim sobre depilação a laser.

Todos os lasers que existem no mercado regem-se pelo princípio da fototermólise selectiva e utilizam o pigmento do pelo como cromóforo. Ou seja, o laser tem a capacidade de “distinguir” o pelo da pele pela sua coloração diferente, “queimando” o folículo piloso (que dá origem ao pelo).

Os tipos de laser actualmente usados e igualmente eficazes em teoria são(1):

  • Laser rubi (ruby) (694nm),
  • alexandrite laser (755nm),
  • Laser de díodo (800nm),
  • Luz pulsada intensa (IPL, 590 a 1200nm)
  • Laser neodymium:yttrium-aluminium-garnet (Nd:YAG; 1064nm).

Este último sendo o único que revela eficácia menor, mas mais seguro para pele mais escura (Fitzpatrick IV e V).

Efeitos secundários deste tratamento, quando não adequado nem ajustado ao tipo e cor de pele e pelo da pessoa podem incluir despigmentação da zona ou hiperpigmentação da mesma, eritema, e algum edema em redor do folículo piloso.

Destaco ainda os alertas (2) de protecção ocular durante o procedimento, tanto do técnico que o faz, como do sujeito a quem está a ser feito, uma vez que estes comprimentos de onda podem danificar a retina.

Relativamente à dor causada pelo tratamento, todos eles a causam (se lerem o mecanismo de como funciona, percebem porque dói), mas hoje em dia os equipamentos vêm com duas tecnologias que aliviam a dor, uma peça do laser que exerce pressão e alivia a dor nos nossos receptores e um jacto de frio que não deixa aquecer demasiado a zona a ser tratada. Uma falha neste sistema de arrefecimento pode significar queimaduras permanentes na pele.

É recomendado que o pelo seja cortado para que o laser não reconheça o pelo no seu comprimento e fora do folículo e não cause queimaduras nestas zonas onde o pelo não existe, daí a recomendação de uma depilação prévia com lâmina.

É absolutamente desaconselhada a exposição solar após uma sessão de depilação a laser (nas semanas subsequentes). Uma única exposição solar aumenta comprovadamente o risco de eritema, queimadura, despigmentação ou hiperpigmentação. Este é um tratamento para fazer no inverno.

É necessária uma avaliação cuidadosa em peles mais escuras, uma vez que é nestas situações que existe maior risco. É aconselhado o laser Nd:YAG. É absolutamente desaconselhada a utilização de laser por pessoas que frequentam solários.

Basicamente, o sistema de remoção de pelo por laser é seguro, eficaz e quase permanente, apenas deixo o alerta para que vão a um local com boas condições (o cabeleireiro da esquina não conta) e máquinas adequadamente mantidas e calibradas, onde o laser adequado seja o mais adequado para o tom de pele que têm.

1- Liew, S.H. Am J Clin Dermatol (2002) 3: 107. https://doi.org/10.2165/00128071-200203020-00004

2- Gan, Stephanie D., and Emmy M. Graber. “Laser hair removal: a review.” Dermatologic Surgery 39.6 (2013): 823-838.