Qual a importância do protector solar? Como funcionam?

Quantas vezes oiço a seguinte frase na praia: “estou a ficar quente, vou meter protector”. Giro, mas errado a muitos níveis. Vamos começar pelo início, porque devemos usar protector solar?

O protector solar demonstrou proteger a pele da incidência de melanoma que é apenas um dos cancros de pele que nos podem aparecer (há mais) quando usado correctamente e numa exposição solar moderada. Moderada. Quer dizer que também não vale estar ao sol a “fritar” dias sem fim e esperar que o protector solar proteja tudo, porque não irá proteger.

Depois, a radiação UV, responsável pelo escaldão e pela probabilidade aumentada de desenvolvimento de cancros cutâneos, a UVB, bem como a responsável pela hiperpigmentação e envelhecimento, a UVA, não se sentem. Aquilo que sentem quando sentem “calor” é a radiação IV (infravermelha) que não é responsável pelo escaldão. Posto isto, é importante deixar de associar “calor” a “escaldão” são duas coisas diferentes e, muitas vezes, quando sentem o calor da inflamação do escaldão é porque ele já lá está e numa extensão bem janota, muitas das vezes.

Existe também alguma evidência que a radiação UVA também não é “inocente” no que toca aos cancros cutâneos porque pensa-se que tem algum impacto no sistema imunitário.

Depois, há que ter em conta algo muito importante: mesmo bem aplicado, nenhum protector solar protege a 100% contra a radiação solar. Nem os SPF mais altos (sim, nem mesmo aqueles que dizem 100, vou escrever em maiúsculas para reterem: SPF NÃO É A PERCENTAGEM QUE AQUELE PROTECTOR SOLAR PROTEGE DO SOL). Por isso, simplesmente não existe “bloqueio total” da radiação solar. Estar exposto ao sol, mesmo com protector solar, apresenta sempre riscos.

O SPF é uma medida de tempo que a pessoa consegue estar exposta à radiação solar sem desenvolver eritema solar, logo é relativo à protecção UVB. A protecção não é linearmente aumentada com o SPF, no entanto. Enquanto um SPF 15 absorve 93% da radiação, o SPF 30 absorve 97% da radiação. Pode parecer pouca diferença, mas é muito significativa e impacta também a protecção UVA,

Anteriormente mencionei, “mesmo que bem aplicado”, acontece que, inúmeros estudos apontam para evidência que a grande maioria das pessoas não aplica o protector solar nem de perto, nem de longe, na quantidade que devia. A quantidade recomendada é de 2mg/cm2 que, para um adulto, estimam mais ou menos 6 colheres de sopa (aproximadamente 36g) por aplicação. Ou seja, uma embalagem de 200 mL de protector solar dá para 5,5 aplicações num adulto. Assim 2 dias de praia inteiros, no máximo com as respectivas reaplicações. Estão a perceber a quantidade de protector necessária? Se aplicarem apenas metade da quantidade recomendada (e pelas minhas obervações ao longo da vida, eu diria que a maioria das pessoas aplica 1/4) a protecção solar cai para 2/3 da que está no SPF.

Já em relação à protecção UVA, na UE é sempre pelo menos 1/3 da protecção UVB e não existe nenhum sistema quantitativo para a protecção UVA como o SPF na Europa (o PA é o sistema japonês). Mas, alerto para uma última questão em que quando existe bronzeamento da pele, é porque já existe dano oxidativo cutâneo, uma vez que a melanina foi produzida para proteger a pele das agressões dos UV.

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