Será que preciso de um creme de olhos?

Esta é uma pergunta que me fazem com muita, muita regularidade. “Então mas preciso mesmo de um creme específico para olhos?”. A resposta é: sim, precisas.

Sei que parece um engodo ao olhar para um simples potinho de 15mL de creme de olhos que custa o mesmo que um creme de rosto, mas há diferenças na própria formulação do creme. Como formulação não é a minha área mais forte, perguntei ao Diogo Baltazar, meu colega e querido amigo, que calha também ser formulador e regente do curso de Ciência Cosmética na London College of Arts (e, caso ainda não conheçam, podem encontrar aqui I, II, III e IV vídeos em que ele responde a perguntas de quem me lê) que me explicou as principais diferenças entre um creme de olhos e para qualquer outra zona do corpo ou rosto:

  • Não são utilizados solventes orgânicos (como álcóois ou acetonas) que causem ardor nos olhos.
  • O pH dos produtos de olhos deve ser de 7.4 para não causar lágrimas, o pH dos produtos de rosto pode variar entre os 4 e 7 (depende da finalidade do produto).
  • Challenge test – este é o nome do teste que se faz aos cosméticos para aferir se os conservantes são eficazes a manter o produto livre de microorganismos. No caso dos cremes de olhos, os testes são ainda mais desafiantes para assegurar que não existe qualquer possibilidade de contaminação da região periocular.
  • Cremes demasiado ricos e inapropriados para o contorno ocular podem causar milia a quem já tenha propensão.
  • São também evitados agentes emulsionantes iónicos para evitar irritação periocular.
  • Habitualmente, os cremes de olhos têm também menos teor de perfume, pois a evaporação dos mesmos e do solvente alcoólico em que está disperso fazem frequentemente arder os olhos.

Estas premissas são válidas não só para cremes de olhos, mas para desmaquilhantes também específicos ou com indicação para a área periocular.

A aplicação também é algo muito discutido e, apesar de ter procurado fundamento científico, não existe grande informação sobre a aplicação e as áreas da mesma. A maioria das marcas aconselha a aplicação de creme de olhos na região onde existe osso, evitando as pálpebras. A razão por detrás desta recomendação parece estar na permeabilidade que a pele da pálpebra tem, fazendo com que alguns dos componentes que estão no creme de olhos eventualmente cheguem mais facilmente até à mucosa do olho. Esta transição é perigosa no caso de utilização de lentes de contacto, que podem fazer oclusão destes componentes e causar irritações.

Outros cremes foram testados e são possíveis de ser utilizados na zona da pálpebra sem problema, procurem essa indicação nos rótulos, uma vez que é específica de cada produto e terá sido testada em cada caso.

Próximos posts desta série:

  • Tipos de cremes de olhos e suas funções;
  • Milia;
  • Olheiras e manchas perioculares.

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