Prazos de validade em produtos cosméticos

Muito se diz que disse por aí nesta matéria, mas não há forma mais legítima de confirmar a verdade do que verificar a lei na Europa.

Relativamente aos prazos de validade, a Europa tem uma legislação diferente dos Estados Unidos e dos restantes países do mundo (embora alguns partilhem algumas indicações). Por exemplo, a segundo a FDA (agência reguladora norte-americana), o registo e controlo de qualidade é voluntário… tudo um pouco mais “liberal” do que por cá, que também é da responsabilidade de cada marca mas, caso não tenha sido feito, são aplicadas pesadas coimas.

A estabilidade está directamente relacionada com a “resistência” do conservante, ou seja, quanto mais resistente o conservante, mais tempo o cosmético se conserva em boas condições.

Então basicamente na Europa temos 2 tipos de prazos de validade: os produtos que duram mais de 30 meses “em prateleira” (fechados, sem estarem utilizados) e os produtos que não são estáveis mais de 30 meses em prateleira. Todos os produtos são testados para 2 ou 3 parâmetros: estabilidade de prateleira, estabilidade de utilização e estabilidade perante degradação acelerada.

A estabilidade de prateleira é o que o nome indica: um produto é mantido num lugar fresco e seco e de x em x meses (este x é grande), é aberto para ver se ainda está estável. A estabilidade de degradação acelerada é aferida numa estufa com temperatura e humidade muito acima da média e observa-se em quanto tempo há crescimento de microorganismos.

Vamos começar pelos prazos de validade impressos, que são mais simples. Neste caso, o prazo de validade terá de ser impresso na embalagem e é uma data concreta.

Já no primeiro caso, existe um prazo de validade adicional que se chama period after opening ou PAO para os amigos.

Este PAO é calculado tendo em conta o crescimento de microorganismos e a estabilidade da própria formulação.

“Então mas isso é mesmo assim?”

“Mas eu tenho lá cremes há 7 anos e acho que estão bons, não os vou deitar fora!”

Calma, malta. Vamos lá agora ao bom senso. Os produtos mais duradouros são aqueles que não têm água pois, sem água, não existem as condições necessárias ao crescimento de fungos e bactérias. Vamos então a uma lista por ordem dos produtos mais resistentes aos menos:

– Pós – por não terem água, aguentam-se muito tempo bem muito tempo. No entanto, não se esqueçam que cada vez que mergulham o vosso pincel no pó, estão a transferir gordura proveniente da vossa cara no mesmo. Daí a importância de pincéis limpos também.

– Gorduras (óleos, batons, bálsamos oleosos, etc) – estes produtos também não têm água maaaaaaas, a gordura sofre oxidação, rançando. Por isso, o batom que herdámos há 15 anos pode se aguentar lindamente 10 anos, mas depois começa a ter aquele cheiro a gordura rança.

– Detergentes – os detergentes têm habitualmente água, até porque costumam ser geles, no entanto têm condições nefastas ao crescimento bacteriano como o pH ou a presença de agentes tensioactivos que degradam a membrana celular das bactérias e impedem o crescimento das mesmas. Pelo menos durante algum tempo, porque há uma dada altura em que se estragam mesmo.

– Emulsões a/o seguidas de o/a– na verdade estas emulsões são basicamente indistintas ao toque, mas bem diferentes a nível da sua formulação. Sendo que têm uma componente de água incluída numa componente oleosa, têm elevado risco de contaminação bacteriana. Isto inclui todos os cremes e bases líquidas de maquilhagem.

– Soluções aquosas e geles não tensioactivos – aqui inclui-se tudo o resto: tónicos e águas micelares (embora estas estejam mais na categoria dos detergentes).

– Produtos oftálmicos sem serem em pó – não inventem, passou do prazo, foi fora! Excepção talvez feita a alguns lápis, mas estás também endurecem, pois são feitos de gordura ou silicone e pigmentos. Uma conjuntivite sai mais cara do que qualquer cosmético, os colírios são caros!

Agora, não me perguntem especificamente sobre todos os produtos que têm em casa, pleaaaaase! Olhem para os ingredientes do produto, se o primeiro é a água e vocês já não se lembram há quantos anos lá o têm: cheirem, observem a textura e vejam se mudou relativamente ao que era quando o compraram. Se o produto tem partes brancas ou “pintinhas brancas” lixo, logo, por favor. Se tiver ganho pêlo também escuso de dizer não é? LIXOOOO!

Acrescento também que que a embalagem tem influência na conservação e que a mesma é considerada no cálculo do prazo de validade.

Acima de tudo, sigam o bom senso, mais ou menos como nos alimentos, as consequências são chatas e mais dispendiosas ainda que uma intoxicação alimentar, acreditem.

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