Para mais, menos

Vivemos num mundo diferente de quando comecei este blog, em 2010. Atrevo-me a dizer radicalmente diferente. Há dez anos atrás, usar batom vermelho nas ruas de Lisboa era um chamariz de atenção e via poucas pessoas visivelmente maquilhadas e ainda menos com conhecimentos sobre isso. Existiam uns quantos blogs em português, mas ainda poucos. Comecei a escrever este blog com uma necessaire pequena de maquilhagem, que cresceu para uma gaveta e lembro-me de ver tutoriais e reviews de produtos, pensando sempre como poderia recriar aquele visual com os meus produtos, ou de que forma os meus produtos se assemelhavam aos ali apresentados.

Volvidos oito anos, a filosofia do mais é mais nunca esteve tão presente, nem tão enraizada. Todas somos diariamente invadidas com centenas de tutoriais, de demonstrações, de produtos “insubstituíveis e OMG únicos e pareces um unicórnio com eles”. (Sou só eu que não tenho o mais remoto interesse em parecer um unicórnio?) Com tudo isto, os blogs juntaram-se às revistas, servindo muitos deles como plataforma de expressão das marcas, a seu bel-prazer.

Com tudo isto, o que eu vim aqui dizer mesmo é o seguinte: parem de comprar coisas. Eu estou a tentar e a pensar muito mais vezes antes de o fazer. Sabem porquê? Porque tenho coisas a mais. Ter gavetas e gavetas de maquilhagem não é razoável, deitar fora produtos fora de prazo que não foram usados não é razoável. Posso dar a desculpa de ter um blog, de ser ocasionalmente maquilhadora, de que é das coisas que me dá prazer. Mas, mesmo assim, tenho coisas a mais. Tenho saudades de explorar todas as potencialidades de um produto, de ver o que posso fazer com ele e a minha criatividade, de ver o fundo a algo, pensar que orgulhosamente acabei alguma coisa e agora permito-me passar para a seguinte. Lembram-se dos famosos “Hit the pan“? Onde anda isso? Agora só vejo Youtubers a “limparem” as colecções de maquilhagem e skincare e a deitar fora (ou a dar, claro) o equivalente a 3 ou 4 ordenados meus em produto. Compreendo perfeitamente que não consigam usar tudo (não é humanamente possível), não estou a julgar (embora admita que, por vezes, me dói o coração), apenas tenho saudades dos “HIt the pan“.

Com isto, quero apenas deixar uma mensagem muito simples: antes de comprarem um produto, investiguem. Vejam o que dizem fontes credíveis, leiam os ingredientes, peçam amostras, testem e vejam que é para vocês. Comprar algo é, a bem ou a mal, criar uma relação com esse objecto. Por isso, quero tornar-me uma consumidora mais consciente. Ando para escrever este texto há um ano, francamente ainda não o tinha feito com receio do apedrejamento público que vou sofrer por cada vez que comprar uma coisa nova. Decidi entretanto que me estou bem a borrifar para isso e gosto de ver muitas fellow bloggers a dizerem o mesmo que eu.

Estão comigo?

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11 thoughts on “Para mais, menos

  1. cabecanananuvem diz:

    Nem mais, foste completamente acertada! Aliás, acho que timidamente já vão aparecendo pessoas no Youtube e nos blogs com uma filosofia anti-consumista.
    Também estou enjoada da hipervalorização de pseudo “beauty gurus”, do materialismo desenfreado em volta dos produtos de beleza, das mirabolices do marketing que já se esgota a si mesmo… Em vez de inspirar, esta nova onda de filosofia da beleza e dos cuidados da pele força um sentimento de obrigação e torna as tendências cansativas.
    Cada pessoa saberá o que é melhor para si, mas como dizes, há mesmo algum ser humano que acompanhe o ritmo da indústrai cosmética? Há marcas que se matam com lançamentos a um ritmo louco!
    Ainda no outro dia escrevi sobre este assunto e sobre como são poucos os Youtubers de beleza que gosto de acompanhar…
    “Gurus de Beleza que (verdadeiramente ) refrescam o Youtube”: https://tinyurl.com/ydd8wm38:

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  2. A Muito Pipi diz:

    Completamente! Sempre pesquisei muuuuito antes de comprar mas cada vez tenho mais consciência do que para mim é exagero. Aquilo que comecei a sentir a dada altura foi que tinha taaaaanta coisa que já nada tinha grande valor. Comprava porque podia mas aquele entusiasmo, aquele desejo de dias e dias a frio, esse amiguinho precioso tinha desaparecido. E com ele a graça toda!

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