A ciência da beleza: Idades nos rótulos / The science of beauty: The age printed on cosmetics

Ele há coisas engraçadas na história. Antigamente existia cold cream (uma coisa inventada pelo Galeno que hoje conhecemos como “Nivea-da-lata-azul”) e era usado para tudo: como hidratante, como desmaquilhante, como lip balm, como creme de barbear. Não era perfeito, mas digo-vos que é tudo fazível com ele. Depois o mercado começou a evoluir, a banha de porco e óleos naturais foram sendo incorporados em coisas ligeiramente mais sofisticadas como ungentos e em meados do século XIX, quando a Humanidade começou a furar a Terra para encontrar petróleo, descobriu-se a vaselina, com ela veio a parafina e tantos outros derivados petrolíferos. Ou seja, aquele que era o único produto existente, deu origem a milhões de milhões e o consumidor começou a ficar confuso. Quantas de vocês não contemplaram as prateleiras de uma perfumaria e se sentiram perdidas?
There are many fun facts throughout cosmetic history. In the old days there was only cold cream (a fat fat cream invented by Galeno that now is know as blue-tinned-Nivea-cream) and it was used for everything: as a moisturizer, as a cleanser, as a lip balm and as shaving cream. It certainly wasn’t perfect, but it worked, Then the cosmetic market started to evolve, the lard and essencial oils started geting incorporated in ointments and in the midd 19th century petroleum jelly was discovered and then came paraffin and many other petroleum derivates. From one single product, we evolved to millions available and the final consumer started to get (understandibly) confused. How many of you have felt lost while contemplating the shelves of a shop?

Pois bem, as marcas resolveram então simplificar a vida às pessoas: colocaram idades nos rótulos para que sirvam de orientação. Viram como eu usei a palavra orientação? Pois bem, esta ideia, bem como o código de cores adjacente a cada uma das linhas (rosa para pele sensível, verde pele oleosa, azul hidratação sem óleo, dourado linha premium para pessoas muy muy anciãs, etc) foi sendo enraizada pelas marcas e pelas representantes das mesmas, que apregoam estes conceitos como se se tratassem de algo inscrito num livro sagrado. Mas não, não está.

So brands decided to make our lives a bit easier and started putting an age in their creams to guide us. Notice that I used the word “guide”. The idea, like color-coding cosmetics (pink for sensitive, green for oily, blue for non oily hydration and gold for premium lines, for veeeeeery ancient people, etc.) was seeded by brands and their commercials, and is preached like it was something extracted from a sacred book. But it sure wasn’t.

Para provar a estupidez de “comer” esta teoria sem pensar: quando é que eu posso começar a usar um creme dos 30 aos 35? Aos 29 e 364 dias? A que horas, à hora a que nasci ou à meia-noite? Quando baterem as 12 badaladas do dia dos meus anos o colagénio da minha pele vai entrar em pânico e suicidar-se? Vou subitamente acordar com pés de galinha?

Simple thinking to prove the stupidity behind thinking these are laws everyone should follow: whwn can I start wearing a cream targeted to 30 to 35 year olds? When I’m 29 years and 364 days? And from wich hour? My hour of birth or midnight? When the clock strikes midnight does my collagen panic and kills itself? Am I going to suddently wake up with crow’s feet?

Percebem? Estúpido.

Get it? Idiotic.

Assim, há poucas coisas que me irritem como colocar as pessoas em caixinhas da idade. Realmente inteligente, nos dias que correm, é informarem-se relativamente ao que cada produto tem para oferecer e o que pode fazer por vocês e a vossa pele. Ou seja, o cuidado de pele não deve ser escolhido pela idade que têm e sim pelos vossos problemas! Eu, por exemplo, tenho 26 anos e uma pele muito seca e desidratada, portanto aquelas linhas douradas que referi acima, têm normalmente o que eu preciso e gosto para a minha pele. Há, no entanto, muita gente de 45 anos que tem acne ou excesso de sebo (pouco provável porque as glândulas sebáceas vão atrofiando com a idade e é por isso que as linhas para peles envelhecidas* são mais gordas) e se calhar precisa de um sérum com ácido salicílico e um cuidado hidratante sem óleo, mas que hidrate na mesma as rídulas e rugas.

There are few things that annoy me as much as placing people in little age boxes. Being smart is to research products and what do they have to offer to you and your skin specifically. A skincare product must be chosen to target treat problems and not by your age! For instance, I am 26 years old and I have very dry and dehidrated skin so those golden lines for ancient people are usualy what my skin adores. However, you can find 45 year old people with acne or excessive oil (it’s unlikely because sebum glands shrink as you age, but it does happen) and maybe this person needs a salycilic acid serum targeted for teenagers combined with something that replenishes moisture and helps hydrate.

Ou seja, usem o que precisarem e bem vos apetecer e não deixem aquela menina extremamente mal maquilhada que vos está a atender dizer-vos que não podem usar aquele creme porque é para 60 anos e vocês têm 20. Se calhar é o melhor caminho para a vossa pele chegar aos 60 com aspecto de 50.

So in the end, just use whatever you want and don’t let that creepy adviser tell you that you can’t use that because it’s for 60 year old women and not your 20 yo face. Maybe that cream is the best bet you have to reach 60 looking like 50.

*Enoja-me brutalmente chamar a alguém “maduro”. Mas somos um cacho de uvas em transformação em uva-passa? Tenham dó, maduro está o vosso cérebro pessoas deste tipo de marketing. Maduro a cair para o apodrecido.

12 thoughts on “A ciência da beleza: Idades nos rótulos / The science of beauty: The age printed on cosmetics

  1. C&C diz:

    Acreditas que ainda hoje disse isto mesmo a uma leitora novinha que fugia dos seruns da Sesderma porque eram anti-idade e sempre ouvira dizer que usar coisa anti-idade aos vinte faz muito mal à pele? As pessoas pensam mal mas há muita desinformação da indústria cosmética, como dizes. E os dois factores juntos dão lugar a verdadeiras tragédias de ignorância.
    Excelente post! ❤

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  2. Paula Vaz diz:

    A melhor e mais esclarecedora publicação que já li! Nunca tinha pensado nos produtos dessa maneira, e ainda para mais eu que não percebo nada deste assunto e tenho imensa dificuldade em perceber o que resulta ou não na minha pele. E a verdade é que já entrei numa loja com a ideia de comprar um produto ( tinha pesquisado sobre isso e tudo, e estava confiante de que aquilo era bom para mim) mas fui tão pressionada pela moça lá da loja, de que não era o indicado para mim, que acabei por trazer outra coisa. :/ ( e sim, a moça estava mal maquilhada lol) E nunca fiquei 100% convencida com o produto que trouxe.

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  3. m_I_a diz:

    Lá está, a total ignorância convicta perturba-me. Irrita-me particularmente a postura de quase nos quererem proibir a levar o que queremos, fico doente!! E a essas pessoas nunca ocorre que, porventura, apanharão clientes que sabem beeeem mais que elas (o que francamente não é difícil). A arrogância incutida a quem trabalha no meio no nosso país deixa-me doente…

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  4. OMG diz:

    Não podia estar mais de acordo! Toda a vida usei produtos anti-rugas independentemente da idade que era aconselhada e não me dei nada mal. Ainda me lembro de aos 18 as minhas amigas me gozarem por usar um protector solar anti-rugas. Hoje elas estão umas “passas” e eu (modéstia à parte) não! 🙂

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