Um dia em cada 365

Amanhã é dia internacional da mulher. E há vouchers para tudo e mais alguma coisa, para maquilhagens, revirar as pestanas, revistas femininas gratuitas, tudo para “celebrar a mulher”. Neste mundo de consumo rápido e pouco pensamento associado, hoje apeteceu-me parar para pensar na mulher. Não no lado pindérico da mulher que aqui se trata maioritariamente.

Não existe o dia internacional do homem, porquê? Porque não é preciso um dia internacional do homem. [Por acaso existe, 19 de Novembro, obrigada Maria! Mas mesmo assim, continua a não ser preciso] Porque os homens ocupam posições mais influentes, porque os homens são mais inteligentes, mais rápidos mais sagazes. Nós somos só mulheres: vulneráveis, falíveis e descompostas, muitas das vezes. Sabemos, desde crianças, que temos de trabalhar o dobro ou o quádruplo para chegar onde quer que seja que um homem chegou, de chegar mais cedo e sair mais tarde, de ser mais ferozes e de saber mais. Porque somos mulheres, a sociedade espera sempre que eventualmente nos deixemos de “parvoíces” e nos dediquemos aos filhos mas é, que é para isso que cá estamos.

Esta sociedade no masculino, continua lá, embora bem mais disfarçada, nos dias de hoje, onde as mulheres ganham discretamente menos que os homens com as mesmas funções, porque se se fizer grande alarido é chato porque depois diz que há leis que proíbem essas coisas.

As mulheres têm-se também discretamente rebelado contra este patriarcado que já cheira mal de tão velho que é, e cada vez somos mais no ensino superior, a procurar formações complementares e a tentarmos ser mais e melhor. E ainda bem, só me custa que continuemos a ter de provar que somos tão boas como os homens, quando deveria ser um facto adquirido.

É triste que em pleno século XXI seja necessário ainda existir um dia da mulher, que ainda haja uma descriminação tão subliminar como a que referi anteriormente em muitos países e, em muitos outros as mulheres sejam apedrejadas porque se suspeita que tenham cometido adultério, porque não lhes apetece usar hishab ou porque simplesmente são mulheres. Que em África uma viúva esteja condenada à morte porque não possui forma de subsistir sozinha.

É triste, numa era em que se luta pela igualdade entre diferentes sexualidades e etnias não se reconheça sequer a igualdade de 50% da população mundial. É triste, e convido-vos a reflectir nisto. A reflectir no facto da indústria da beleza e moda ser controlada por homens que nos fazem questionar a nossa imagem pessoal e das restantes mulheres, a julgarmo-nos a nós próprias e a quem está ao nosso lado.

E termino com uma frase que disse o ano passado por esta altura: ser feminista não é deixar o buço escuro ou não fazer a depilação ou não usar soutien, é acreditar verdadeiramente que ambos os géneros são dignos dos mesmos direitos e obrigações, com os seus respectivos pontos fortes e fracos. Convido à visualização deste vídeo brilhantemente realizado em que os homens trocam de posição com as mulheres num universo alternativo:


E já agora, não estou a tentar demonizar o género masculino, só quero causar reflexão, felizmente, existem muitos homens que respeitam e sabem amar as mulheres por tantos outros que as desrespeitam.

15 thoughts on “Um dia em cada 365

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